Como uma onda no ar
Quem pensava que Dubai era o único dos sete emirados a brilhar na Península Arábica, chegou a hora de rever os seus conceitos. Essa semana, um anúncio tirou do foco o "paraíso dos engenheiros e arquitetos" e fez de Abu Dhabi, sede política dos Emirados Árabes Unidos, o assunto da vez no mundo da arquitetura. O motivo? A inauguração de um edifício corporativo de 38 andares projetado para representar o comércio e a cultura da cidade.
Quem pensava que Dubai era o único dos sete emirados a brilhar na Península Arábica, chegou a hora de rever os seus conceitos. Essa semana, um anúncio tirou do foco o "paraíso dos engenheiros e arquitetos" e fez de Abu Dhabi, sede política dos Emirados Árabes Unidos, o assunto da vez no mundo da arquitetura. O motivo? A inauguração de um edifício corporativo de 38 andares projetado para representar o comércio e a cultura da cidade.
Reflexo da antenada arquitetura islâmica, o edifício passa a ser o novo quartel-general do ADIA (Abu Dhabi Investment Authority) - fundo soberano dos Emirados Árabes, com ativos estimados entre US$ 650 bi e US$ 875 bi. Agregando importância ao seu design contemporâneo - e por que não dizer pretensioso? -, a obra conta com outro forte componente ao seu favor: a localização.
Situado em Corniche, avenida de 6 km de comprimento que margeia a costa da cidade, o edifício parece desembocar em pleno Golfo Pérsico, chamando para si toda a atenção do paisagístico corte aéreo do local. Não é para menos. Arrojado, o projeto leva a assinatura da renomada firma internacional Kohn Pedersen Fox Associates (KPF), com sede em Nova York.
Para cair nas graças do famoso cliente, o escritório norte-americano teve que por à prova a criatividade dos seus arquitetos. Inspirado em elementos regionais de Abu Dhabi, como as velas infladas dos barcos do Golfo e as famosas dunas de areia da Arábia, o formato do edifício tenta agregar idéias de abertura e boas-vindas - num claro esforço de simbolizar transparência como principal compromisso do banco ADIA em suas transações. Para o efeito, a solução foi simples: projetar um plano vertical dobrado em três partes, criando dois "braços" que se esticam num gesto convidativo.
Amplos espaços para escritório, com divisórias ou não, foram requisitados pela ADIA, já que eram necessárias zonas de interação e encontros entre os endinheirados clientes do fundo e os seus funcionários. Ali, literalmente, um significativo esforço foi direcionado para iluminar os negócios: as duas asas da edificação garantem excelente aproveitamento de luz natural. O curioso é que, entre elas, a cavidade central da fachada quase não recebe raios solares, o que - segundo os profissionais da KPF - eleva o coeficiente de sombreamento, funcionando como um gigantesco sistema de arrefecimento.
Ainda no centro, onde acontecem as reuniões informais, um jardim suspenso relembra a tradição árabe de cultivar plantas em seus interiores. Outra particularidade está no átrio central, que, parecendo flutuar a 150 m do solo, atua como uma chaminé, expelindo o ar com baixo teor de oxigênio.
De fato, a sede do ADIA é um espetáculo que salta aos olhos. A receita a KPF não esconde para ninguém: engenhosidade, glamour e estilo em adequada justaposição à antiga arquitetura do Islã. Em suma, mais uma jóia a adornar a riqueza arquitetônica dos Emirados Árabes Unidos - e, de quebra, ofuscar um pouquinho o brilho onipotente do vizinho. Dubai que se cuide.
Situado em Corniche, avenida de 6 km de comprimento que margeia a costa da cidade, o edifício parece desembocar em pleno Golfo Pérsico, chamando para si toda a atenção do paisagístico corte aéreo do local. Não é para menos. Arrojado, o projeto leva a assinatura da renomada firma internacional Kohn Pedersen Fox Associates (KPF), com sede em Nova York.
Para cair nas graças do famoso cliente, o escritório norte-americano teve que por à prova a criatividade dos seus arquitetos. Inspirado em elementos regionais de Abu Dhabi, como as velas infladas dos barcos do Golfo e as famosas dunas de areia da Arábia, o formato do edifício tenta agregar idéias de abertura e boas-vindas - num claro esforço de simbolizar transparência como principal compromisso do banco ADIA em suas transações. Para o efeito, a solução foi simples: projetar um plano vertical dobrado em três partes, criando dois "braços" que se esticam num gesto convidativo.
Amplos espaços para escritório, com divisórias ou não, foram requisitados pela ADIA, já que eram necessárias zonas de interação e encontros entre os endinheirados clientes do fundo e os seus funcionários. Ali, literalmente, um significativo esforço foi direcionado para iluminar os negócios: as duas asas da edificação garantem excelente aproveitamento de luz natural. O curioso é que, entre elas, a cavidade central da fachada quase não recebe raios solares, o que - segundo os profissionais da KPF - eleva o coeficiente de sombreamento, funcionando como um gigantesco sistema de arrefecimento.
Ainda no centro, onde acontecem as reuniões informais, um jardim suspenso relembra a tradição árabe de cultivar plantas em seus interiores. Outra particularidade está no átrio central, que, parecendo flutuar a 150 m do solo, atua como uma chaminé, expelindo o ar com baixo teor de oxigênio.
De fato, a sede do ADIA é um espetáculo que salta aos olhos. A receita a KPF não esconde para ninguém: engenhosidade, glamour e estilo em adequada justaposição à antiga arquitetura do Islã. Em suma, mais uma jóia a adornar a riqueza arquitetônica dos Emirados Árabes Unidos - e, de quebra, ofuscar um pouquinho o brilho onipotente do vizinho. Dubai que se cuide.
Por Sylvio Quadros - Portaldoarquiteto.com












