Muitos já devem ter ouvido falar em Realidade Aumentada por ai nos últimos meses. Mas, o que seria essa tecnologia e o que ela traz de bom?
Augmented Reality (AR) ou Realidade Aumentada (RA) é a sobreposição de imagens geradas através da computação gráfica sobre cenas do mundo real que permitem a navegação ou a interação do usuário em tempo real. Ela é uma vertente da Virtual Reality (VR) mais conhecida como Realidade Virtual (RV) que pode ser classificada em imersiva ou não-imersiva. Ela torna-se imersiva, quando o usuário é totalmente envolvido pelo ambiente virtual, através de dispositivos que captam seus movimentos (capacete, óculos, luvas, microfones, fones de ouvido, sensores de movimento, CAVE entre outros aparatos) e reagem a eles, provocando a falsa sensação multisensorial de estar fazendo parte do ambiente virtualmente projetado. Além disso, a imersão pode, em alguns casos, ser melhorada com outros recursos multisensoriais como sensação de tato e força, calor, frio, vento, etc. Já a não-imersiva é a mais comum nos dias de hoje, presente principalmente em jogos de primeira e terceira pessoa, quando o usuário é parcialmente envolvido pelo ambiente virtual através de monitor ou projeção, mas ao desviar o olhar para outra direção o usuário sai do ambiente virtual.Ai vem a pergunta: onde entra a (RA) nessa história? A (RA) permite que o usuário veja o mundo real com objetos e sons sobrepostos ou combinados, complementando a realidade, em lugar de substituí-la. A intenção é que o usuário tenha a impressão de qu e os objetos virtuais e reais co-existam no mesmo ambiente, e que possam interagir ou manipulá-los. Além de adicionar objetos a um ambiente real, a RA também tem o potencial de remover objetos desse ambiente. As sobreposições gráficas também podem ser usadas para remover ou esconder partes do ambiente real.
A Realidade Aumentada e a Realidade Virtual estão relacionadas? Sim, foi definida uma escala que possui dois extremos: ambientes reais e ambientes virtuais. Assim a Realidade Aumentada (RA) e a Virtualidade Aumentada (VA) estão no núcleo destes extremos formando a Realidade Mista (RM). Isso mesmo. Mista é quando essas realidades se misturam. Sendo isso, a Virtualidade Aumentada (VA) é o extremo oposto da Realidade Aumentada (RA) e trata-se da adição de objetos reais a um ambiente virtual.
Na arquitetura, a viabilidade da Realidade Aumentada (RA) é definida pela capacidade e criatividade dos desenvolvedores, arquitetos e programadores. Pois, é possível visualizar detalhes e até mesmo projetos completos em 3D facilitando o entendimento dos mesmos aos leigos e profissionais da área. Por exemplo, pode facilitar na compatibilização de projetos possibilitando a comunicação com softwares paramétricos e sistemas BIM para visualização em tempo real da edificação projetada em 3D sobre a estrutura da edificação existente fazendo um comparativo entre o real e o projetado, dando aos arquitetos uma “visão raio-X” através das paredes, mostrando a posição das tubulações proeminentes dos projetos hidráulicos, elétricos e lógicos.
Alguns sistemas hoje desenvolvidos em universidades americanas já permitem este tipo de proeza, incluindo a detecção de erros de execução em estruturas, acompanhamento de obra e simulações de execução minuto a minuto, projetando a etapa da obra em horas, dias, meses ou anos.
Além disso, podemos utilizar a RA para estudos de implantação e impacto de vizinhança, estudo de insolação, estudo de fachada com sobreposição da mesma e também na apresentação de projetos para o melhor entendimento dos mesmos, usando maquetes, vídeos, músicas ou tudo isso mesclado em RA para uma super apresentação do projeto, podendo ser usada posteriormente nos encartes de revistas ou flyers e até mesmo no lançamento do empreendimento. Afinal, através da RA, os usuários podem interagir com os objetos de uma forma natural, perceber e compreender mais facilmente as características do projeto e julgar o impacto visual do produto acabado.
A Realidade Aumentada também pode facilitar a vida dos arquitetos de interiores e decoradores, pois através dela podemos, por exemplo, fazer o layout de uma sala de estar ou jantar, um hall de um prédio ou até mesmo uma cozinha sem ao menos termos a planta ou as metragens do local em mãos. Basta ter os móveis modelados em 3D e uma fotografia com um marcador no ambiente. A partir dai já é possível planejar o ambiente em tempo real com a presença do cliente se for necessário. Tudo isso já é possível com ferramentas como iLiving, da Metaio, um aplicativo para o iPhone onde é possível tirar fotografias pelo telefone de um ambiente e colocar móveis virtuais, movê-los, escaloná-los e trocá-los por outros apenas balançando o aparelho.
Depois de montar o ambiente com os móveis virtuais também é possível compartilhá-lo enviando uma fotografia já com os moveis virtuais para o cliente. Este aplicativo já está disponível no link (http://bit.ly/bueZHL). Além dele existe também um projeto piloto chamado (Furniture planner of future online shops), ou seja, um Futuro planejador de layouts para lojas de móveis online que funciona da mesma forma que o iLiving, porém somente para desktops. Existe também o Autodesk Showroom que permite fazer o mesmo que os dois projetos acima, porém funciona tanto no iPhone como nos desktops. Disponível nos links da Autodesk (http://bit.ly/cBuyPW), Dacor (http://bit.ly/bCuJXE) e Jannair (http://bit.ly/c4Dvpz).
Num futuro próximo existirão projetores em miniatura, como o IPM (Integrated Photonics Module), da Microvision, que permitirão a criação de aplicações de Realidade Aumentada Espacial para dispositivos móveis (celulares, pdas, etc.). Este projetor colorido pode ser integrado dentro do celular. Sua projeção utiliza feixes de laser que permitem foco infinito, isto quer dizer que as imagens ficam sempre em foco independentemente da distância entre o projetor e a superfície de projeção, até mesmo em superfícies curvas e irregulares. O que será de suma importância na construção civil, pois será possível identificar as tomadas a serem instaladas em cada ponto ou identificar o quadro de luz de forma simples e com todas as instruções na tela. Será possível, também, a projeção de toda a rede de dutos e a identificação dos mesmos.
Para quem está se perguntando como a RA funciona na prática, digo que ela possui diversas configurações. Uma delas funciona através do reconhecimento de um símbolo. O software processa a imagem captada por uma câmera e identifica o posicionamento do símbolo. Em seguida, o software disponibiliza um objeto ou modelo virtual com base neste posicionamento.
Os marcadores também podem ser fotografias ou ilustrações, podem ser o seu rosto como no exemplo do ray-ban (http://bit.ly/dn5XCv - clique em Virtual Mirror para experimentar) ou ponta dos dedos, podendo também ser definido por cores.
A visualização não é imediata para a web, pois será necessário carregar os códigos atribuídos aos objetos em 3D e as imagens que o compõem para depois renderizá-los no quadro de vídeo e só então aparecer no seu monitor. Este tempo é relativo ao peso do modelo 3D, da velocidade do processamento do seu computador, da sua placa de vídeo, além da velocidade de sua conexão com a internet. Estas mesmas características farão diferença no tempo de resposta em interação com o objeto. Para arquivos do modelo 3D e códigos que estejam locados em sua máquina, a visualização será imediata. Mas, a interação e a visualização estarão sempre diretamente ligadas ao desempenho de sua máquina, ou seja, do processador e da placa de vídeo.
Importante salientar que a Realidade Aumentada (RA) não é especificadamente feita por um programa, principalmente se for feita para web. Ela é um conjunto de códigos abertos que se interagem e se completam para dar vida ao RA. Por experiência própria, digo que não é muito simples, pois não existe literatura muito abrangente sobre o assunto e a grande maioria a qual tive contato foi de língua japonesa.
Porém, existem na web muitos tutoriais em inglês sobre o assunto. Basta ter um pouco de paciência e saber o básico de inglês e um pouco de programação para poder começar a desfrutar desta tecnologia. A RA é composta de cinco principais linguagens: a Flartoolkit desenvolvida por Saqoosha (http://saqoosha.net) em cima da então existente Artoolkit, porém a Saqoosha possibilitou que a Realidade Ampliada pudesse ser vista através da web. A segunda linguagem é o Papervision 3D (http://blog.papervision3d.org) que possibilitou a utilização do 3D na plataforma Flash da Adobe Systems Incorporated.
A terceira linguagem é o próprio Action Script 3, da Adobe, e a quarta é a Colada (https://collada.org), fundamental na geração do arquivo em 3D, pois é ela quem dá as coordenadas do objeto tridimensional no ambiente virtual, além de relacionar todas as texturas ao objeto. Por fim, temos o DAEMC2 (http://code.google.com/p/daeanim/) que possibilita animar e interagir com o objeto 3D. Além destas existem várias outras linguagens disponíveis na web como o Away 3D (http://away3d.com), Sandy 3D (http://www.flashsandy.org) e Artisan (http://onezerothrice.com).
Para aqueles que querem experimentar pela primeira vez a possibilidade de gerar algo em Realidade Ampliada existem dois modos práticos. O primeiro é o site do EZFLAR (http://www.ezflar.com) que possibilita gerar a Realidade Ampliada com imagens, vídeos, arquivos 3D, textos e até mensagens do Twitter de forma fácil. Mas, só funciona através da web. O outro utiliza a plataforma do Google Sketchup (um programa que não tinha pretensões de ser um programa CAD, mas depois de ser comprado pelo Google tem fortes tendências a ser um gigante do setor, pois é fácil, rápido e prático, além de gratuito) é o AR-Media Sketchup Plugin (http://bit.ly/9l8bXs). Ele permite transformar qualquer desenho realizado na ferramenta do Google em RA. O único problema é que a versão trial só permite visualizar o modelo em RA por 30 segundos. Quem quiser adquirir a versão full terá de desembolsar 99 euros.
As principais necessidades que levaram ao desenvolvimento de uma tecnologia que possibilitasse uma visualização mais abrangente do projeto estão ligadas ao fato singular de que essa é uma forma mais fácil, rápida e menos dispendiosa de você fazer uma maquete de apresentação de um projeto para mostrar ao cliente. Afinal, se fossemos fazer perspectivas seria necessário fazer várias cenas, ambientes, tratamento da imagem, renderização dela e, a depender da quantidade de imagens, possivelmente o trabalho poderia ser mais custoso.
Sem contar que através dela há maior interação do futuro morador com a obra. Isso fica evidente nas ações em que fizemos e nas ações de algumas construtoras e incorporadoras que tive o prazer de presenciar. Tanto a Realidade Ampliada quanto a Realidade Virtual seja ela imersiva ou não, sempre irá provocar interesse e curiosidade nas pessoas até porque a novidade em si já é um atrativo.
Em comparativo com os estandes tradicionais onde tudo é estático e no máximo você verá um vídeo institucional sobre a obra, a Realidade Ampliada e a Realidade Virtual são um salto e tanto. Ao invés de você se deparar com perspectivas estáticas, você vai poder interagir com elas, com outros futuros moradores e olhar para onde bem quiser. Além disso, você poderá ver a maquete ganhando vida e a maquete não será apenas fachadas e playground, ela agora permitirá ver a planta do apartamento e modificar o layout de acordo com sua necessidade. Caso a construtora tenha fechado contrato ou parceria com alguma loja de móveis, o futuro morador poderá escolher, ver os preços dos móveis, alocá-los no modelo, saber o valor final das suas futuras aquisições e quem sabe já fechar o negócio com todos os móveis inclusos.
Esse é o futuro, porém cabe as construtoras e imobiliárias juntamente com suas agências de publicidade identificar a infinita gama de possibilidades que essas tecnologias podem prover. Contudo, será que as agências e imobiliárias estão prontas para isso? Seria o fim das maquetes físicas? Não acredito que isso venha a acontecer, pelo menos tão cedo. Pois, a maquete tradicional e a maquete em RA se complementam. E ainda não é viável comercialmente fazer uma maquete que proporcione as mesmas sensações que a maquete física proporciona que é a sensação tátil, pois para isso teríamos que utilizar um sistema que possibilitasse a projeção da imagem para visualização através de óculos 3D com câmera embutida e luvas especiais que dessem a sensação da maquete estar inserida no ambiente real.
A vantagem da maquete física é que ela fica exposta, ou seja, todos têm a possibilidade de vê-la. Se a maquete fosse visualizada em RA, por exemplo, os transeuntes ou motoristas que passassem em frente ao estande, não conseguiriam vê-la, pois não estariam com os aparatos necessários, o que a torna comercialmente inviável.
Além disso, a intenção da RA é que o usuário tenha a impressão de que os objetos virtuais e reais co-existam no mesmo ambiente e que possam interagir ou manipulá-los. Foi pensando desta forma que agora estou estudando um protótipo de integração da maquete física com a virtual junto com o Estúdio Suerdieck Maquetes em Salvador/Bahia, na qual será possível interagir com a maquete física através da RA, de forma a poder vê-la, por exemplo, à noite ou como o sol vai se comportar em relação ao prédio. Poderemos ver o entorno da maquete ganhando vida, como transeuntes passeando pela calçada em frente ao prédio ou os condôminos tomando banho de piscina ou ainda utilizando a churrasqueira do espaço gourmet. Poderemos ver os carros trafegando na via em frente ao empreendimento ou entrando na garagem, além de poder ver o interior do edifício como se as paredes da fachada não existissem ou ainda ver a planta do apartamento utilizando a técnica da Realidade Virtual, a qual domino e utilizo em alguns projetos experimentais na Caramelo Arquitetos Associados. Esta tecnologia permite que o usuário visualize em primeira pessoa a planta do edifício e interaja com o ambiente ou outros usuários através de chat, permitindo também decorar seu futuro apartamento, semelhante a um jogo famoso, o “The Sims”, da Eletronic Arts Inc. (http://bit.ly/bEbJy5)
O custo que essa tecnologia acarretará no valor final do projeto vai variar de acordo com o tamanho do projeto e as necessidades do cliente, pois cada projeto tem suas particularidades. Porém, seu custo não é tão alto quanto se imagina devido a sua complexibilidade. Hoje temos duas empresas de peso no ramo da construção civil que entenderam as suas funcionalidades e absorveram esses custos: a Syene Empreendimentos, em Salvador, e a Queiroz Galvão, de Recife, que estão em parceria com a Caramelo Arquitetos Associados na utilização dessas novas tecnologias que possibilitam uma compreensão quase que total do projeto.
(Ver Realidade Aumentada do Salvador Prime da SYENE Empreendimentos - Clique aqui.)
Acredito que as mudanças estão em curso e a tendência é que a aplicação destas tecnologias venha a crescer a cada dia.
Frank Caramelo
Arquiteto, Designer e Gerente de TI da Caramelo Arquitetos Associados Ltda.
Mais informações nos sites:
Qualquer dúvida, crítica ou sugestão envie um e-mail para:














Comentários
Olá, Leticia
Bom coloquei o link ( bit.ly/116NBK ) no texto acima em (Ver Realidade Aumentada do Salvador Prime da SYENE Empreendimentos - Clique aqui.) para que você consiga saciar esse desejo de ver um RA pela internet.
Ps. Me desculpe também pelo atraso na resposta.
Atenciosamente
Frank Caramelo
Muito legal! Mas nessa versão Trial do ARPlugin, de onde eu tiro esse símbolo necessário à visualização?
Olá, Flávia
Desculpe a demora para responder a sua pergunta, pois estive dando um gás nos projetos e esqueci de ver os meus e-mail e até o blog.
Mas voltando ao assunto, o MARK ou Símbolo está na pasta onde se encontra instalado o ARPlugin. Você pode encontrado clicando em INICIAR ou START/ARPlugin/ e lá vc vai encontrar o arquivo PDF do MARK.
Atenciosamente
Frank Caramelo
Obrigada,
Clara Maria, estudante de arquitetura
ps: sem transformar os objetos em gifs
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