Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo
09 de janeiro de 2007 - 13:56
O Arquiteto hoje, neste século XXI é muito mais que o "Projetista", no entendimento cru da palavra. De há muito que vem assumindo a função, não papel, de transformador do meio e planejador de larga abrangência, principalmente em se considerando o enfoque social do seu trabalho.

Quiséssemos ser mais explícitos, poderíamos, com boas dose de coragem e mínima margem de erro, "tentar" definir e discriminar as especialidades do Arquiteto, assim como de muito já acontece na Engenharia, por exemplo, que engloba as especialidades de civil, minas, química, transportes, eletricidade, eletrônica, sanitária e muitas outras mais.

Poder-se-ia ter então o Arquiteto especializado em projetos, mercado imobiliário, arquitetura industrial, arquitetura institucional, urbanismo, planejamento urbano, planejamento regional, planejamento institucional e também muitas outras contidas no bojo da Lei 5.194/66 (Lei que Regulamentas Profissões do Engenheiro e do Arquiteto).

Perdoada a minha heresia acima (por favor) cabe a nós planejar, projetar, construir, gerenciar e fiscalizar obras de qualquer natureza.

É sobre isso exatamente que queremos tratar - a associação do trabalho do Arquiteto.

Voltando as "especialidades" inerentes e mais particularmente à Lei Federal já citada, creio que a profissão do Arquiteto já não é similar à do Engenheiro como provavelmente pensavam os Congressistas ao laborar aquela lei.

O próprio Sistema CONFEA (CREAs) confere aos seus Conselhos componentes uma postura nitidamente voltada para o exercício da Engenharia (na origem, civil).

Quantas Câmaras de Arquitetura e quantas da Engenharia e suas especialidade s existem nos conselhos?

Os fatos quanto a minoria das câmaras de Arquitetura falam por si só: nas décadas de 70 a 90 (século passado) (e ainda hoje, infelizmente) era corrente, como se da Lei parte fizesse a assertiva de que Arquitetos ... "só podem construir até três pavimentos..."

Não que se queira obrar arranha-céus, mas não se pode aceitar o que é (era) uma discriminação (atentar para as resoluções do CONFEA nº 218 de 29/06/73 e nº1010 de 22/08/05).

Acredito que esse PORTALDOARQUITETO pode ser uma peça importante para que cada uma dessas profissões tenha sua própria congregação; que a Arquitetura e o seu exercício tenham Lei própria. Já temos a base estrutural que é o Instituto dos Arquitetos do Brasil e suas seccionais e não creio que devamos repetir a fórmula do sistema CONFEA; os Advogados, por exemplo congregam-se sob  a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e não sob a forma de Conselho; e ainda, já estão em tramitação no Senado os projetos de Lei que criam nossa organização desde o ano de 2003. (Projeto de Lei do Senado Nº 347 de 19 de agosto de 2003 (Governo Sarney) e na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Nº 4747/2005 (governo Lula).

Se nos interessa, movamo-nos.

José R Nogueira Neto

Arquiteto

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  Comentários (22)
Comentários RSS
 1 Estudante de Arquitetura da UNIVIX - ES
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail , em 23/01/2007 - 20:24 , IP: 201.50.44.233
Concordo com o Arquiteto, quanto a discriminação de execução de obras de maior porte e penso que essa discriminação só vai acabar quando se criar o "nosso" próprio Conselho de Arquitetura e Urbanismo. 
Acho também que a maioria dos Arquitetos que estão se formando de uns tempos pra cá, estão usando a profissão para serem Decoradores de Ambientes (não tenho nada contra), entretanto seria mais útil o Arquiteto pensar nas Cidades e seus problemas e discutí-los na Escola e na Comunidade em que está inserido.
 2 Decoradores de Ambientes
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 24/01/2007 - 11:47 , IP: 200.97.25.103
Caro Genulfo 
Não sei como estão estruturados os cursos de Arquitetura aí no ES. 
Temos em Salvador 03 cursos superiores de Arquitetura, um superior de Decoração e um superior de Design de Interiores. 
 
Não há nada de mais em ser Decorador(a) de Ambiente; na minha opinião o que se deve buscar é o esclarecimento sobre a Profissão e as demais congêneres. 
 
Afinal, acima de tudo, arquitetura é criação, com senso social, tecnologia e arte.  
Abr 
Nogueira
 3 "Usando a profissão"
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail , em 24/01/2007 - 12:06 , IP: 201.50.72.57
Como todos sabemos, o profissional dito como "Arquiteto e Urbanista" tem uma gama enorme de áreas que podem ser seguidas e cabe a cada um decidir qual caminho se deseja trilhar. Penso ser uma grande sorte nossa poder escolher dentre tantas vertentes qual podemos seguir. Aprendemos a lidar com espaços, sejam eles externos, internos ou até mesmo virtuais.
 4 Por uma atuação integrada
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 05/02/2007 - 14:00 , IP: 189.12.13.75
Caros Colegas, 
Entendo que nos dias atuais a necessidade de que se mesclem os conhecimentos, as experiências, as vivências profissionais só faz com que os resultados sejam bem mais apurados e satisfatórios ao consumidor final - que poderemos ser nós mesmos. 
Um arquiteto possui a sensibilidade de materializar sonhos e intenções, a partir do contato com seu cliente.Um urbanista possui a mesma capacidade, mas atua numa escala mais abrangente, visando a compatibilização de funções, desejos e formas dentro de um propósito coletivo.  
Os engenheiros, por sua vez, fazem acontecer tais projetos, materializando-os efetivamente, com seus conhecimentos técnicos específicos.  
E ainda há arquitetos que atuam como engenheiros, fundindo a concepção à execução. 
Desta maneira, precisamos ver as profissões em foco de maneira complementar, e não separatista ou competitiva. 
Cada profissional possui seu papel. E os papeis se complementam, pois não há como viabilizar o projeto do arquiteto, sem a atuação do engenheiro. 
Vamos somar, ao invés de dividir! 
Abraços a todos.
 5 Concordo com muito do que falam mas...
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 11/12/2007 - 17:48 , IP: 143.107.240.250
Olá, só queria deixar um recado em relação o texto que regulamenta o CRAU e trata-se de questão de avaliação de impacto ambiental. Como um arquiteto pode dar conta desse mote se sua formação não possui disciplinas que possam conduzí-lo a tal? Digo isso em relação às grades curriculares de muitos cursos e também , é claro, defendendo a minha classe profissional. Por favor, gostaria de saber mais a respeito disso a partir de arquitetos mesmo e não de jornais ou do Confea/CREA.


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