Arte e técnica: a polivalência do arquiteto
05 de novembro de 2008 - 15:13
andressaArquitetos (!), o que nós somos?

Pairando entre os limites entre a arte e exatidão técnica, a subjetividade estética e a materialidade da função, torna-se difícil enquadrar arquitetura a apenas um domínio do conhecimento humano. Consultando a etimologia da palavra, cuja origem vem do grego arkhitektôn, tem-se como arquiteto o construtor principal (arqui = principal / tectônica = construção) ou, em uma referência contemporânea, um mestre de obras. Responsável pela elaboração de um edifício, do desenho à obra, somos por origem, os criadores e supervisores técnicos do início ao fim de uma construção. Olhando para o passado novamente, encontramo-nos relacionado também à evolução histórica das artes tradicionais como a escultura e pintura, suas nuances na gravura e, mais recentemente, nas artes visuais e digitais.

Ao mesmo tempo, a formação acadêmica atual nos oferece um título um tanto ambicioso: arquitetos, urbanistas, paisagistas, designers e muito mais, através de uma formação polivalente. Camaleônicos por natureza, somos o produto da experimentação de todas essas artes-ciências, na mais rica e ampla qualificação.

Mas, o que temos sido até o momento? Rotulados, em alguns casos, como artistas incoerentes, produtores do desnecessário e supérfluo? Ou técnicos sem alma, burocratas do desenho e da assinatura de plantas, reducionistas de nossos próprios sonhos, devido ao medo de instruir o cliente (e perdê-lo) sobre a nossa verdadeira função?

Atualmente, dezenas de arquitetos, no qual me enquadro, trabalham com artes visuais, desenho de observação e dominam dos mais delicados traçados à grafite ou nanquim, aos softwares mais sofisticados. Com criatividade aprendemos também a combinar efeitos e animações digitais ao produto bidimensional ou tridimensional gerado em um papel ou tela de computador. É a evolução natural da profissão que, novamente, mostra-se camaleônica e criativa para absorver e utilizar a nosso favor as ferramentas do mundo contemporâneo. Mas, voltemos ao nosso passado, à gênesis de nossa profissão e, permitam-me a ousadia de uma rápida definição de nossas atribuições: sejamos arquitetos - artistas - construtores - de sonhos. Independente da ferramenta que utilizamos, seja o papel vegetal ou o computador, se criamos residências, navios, logomarcas, escolhemos o material e supervisionamos o assentamento de uma alvenaria, é imprescindível que mantenhamos o olhar entre a TÉCNICA e ARTE, a FUNÇÃO e a ESTÉTICA, e transfiramos para o nosso trabalho a maravilha de uma profissão que se aprende com olhar criterioso, técnica e regras exatas, mas que é simultaneamente enriquecida com a essência subjetiva do artista e do interlocutor. Todos os demais intentos, que desconsideram a técnica ou estética, definitivamente não constituem arquitetura, mas reduzem a nossa profissão ao desequilíbrio entre o tecnicismo asfixiante ou o vazio do supérfluo...

Por Andressa Martinez - Arquiteta, graduada em 2005 pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e mestre pelo PROURB-FAU/UFRJ. e proprietária do Blog parceiro http://andressamartinez.wordpress.com

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  Comentários (11)
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 1 estudante de arquitetura
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 21/11/2008 - 10:19 , IP: 200.150.75.18
;) ;) é isso ai..muito bom texto!!.
 2 hen???
Escrito por hen??? website, em 13/01/2009 - 15:23 , IP: 189.59.182.167
:? hen??? :?
 3 Ser arquiteto
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 24/01/2009 - 11:08 , IP: 189.106.90.97
Andressa, 
Acho que neste momento atual, nós nos colocamos como a sociedade nos vê, quando um grupo ainda muito grande não valoriza suas pequenas linhas traçadas ou até mesmo seu tempo.  
No ano passado eu mesma passei por situações onde clientes me manipularam, falando assim parece estranho, mas é muito fácil, pois na ânsia de manter um padrão financeiro de vida, deixamos de perceber quando eles querem contratar um arquiteto para abrir os caminhos de uma boa moradia ou um “Mané” para dispor a outro seu custo da obra e assim aplicar o famoso calote. Isso acontece, pois concorremos com não sei se podemos chamar até de profissionais que estão no mercado por troca de favores, cobram valores simbólicos (para amigos, parentes, se assim quiser pode se até entender) fazendo trabalho até de graça para estranhos. É isso que nos derruba, tira a linha do traçado e nisso passamos a ser multiuso ou sinônimo de algo supérfluo. 
Eu tenho estudado marketing, acho que todos deveriam, pois isso poderá ajudar a entender que alem de ser profissional de arquitetura também somos empresários empreendedores alguns como pessoa jurídica e outros como física, mas no fundo todos precisam cobrar pelo seu trabalho de maneira que se pague de verdade. Boa sorte a todos, e uma boa compreensão de mercado! 
:)
 4 Ser arquiteto
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail website, em 24/01/2009 - 11:09 , IP: 189.106.90.97
Andressa, 
Acho que neste momento atual, nós nos colocamos como a sociedade nos vê, quando um grupo ainda muito grande não valoriza suas pequenas linhas traçadas ou até mesmo seu tempo.  
No ano passado eu mesma passei por situações onde clientes me manipularam, falando assim parece estranho, mas é muito fácil, pois na ânsia de manter um padrão financeiro de vida, deixamos de perceber quando eles querem contratar um arquiteto para abrir os caminhos de uma boa moradia ou um “Mané” para dispor a outro seu custo da obra e assim aplicar o famoso calote. Isso acontece, pois concorremos com não sei se podemos chamar até de profissionais que estão no mercado por troca de favores, cobram valores simbólicos (para amigos, parentes, se assim quiser pode se até entender) fazendo trabalho até de graça para estranhos. É isso que nos derruba, tira a linha do traçado e nisso passamos a ser multiuso ou sinônimo de algo supérfluo. 
Eu tenho estudado marketing, acho que todos deveriam, pois isso poderá ajudar a entender que alem de ser profissional de arquitetura também somos empresários empreendedores alguns como pessoa jurídica e outros como física, mas no fundo todos precisam cobrar pelo seu trabalho de maneira que se pague de verdade. Boa sorte a todos, e uma boa compreensão de mercado! 
:)
 5 Escrito por Andressa website, em 25/01/2009 - 21:50 , IP: 201.29.226.211
Olá, Grasiela, 
Apesar das dificuldades, continuo com uma visão otimista. Há vários casos bem sucedidos e nós devemos imaginar que estaremos entre eles! Não podemos esperar (ou sonhar) por uma mudança completa sobre a percepção de nossa profissão. Mas, temos ao menos que objetivar mudar, alterar a mentalidade dos que se relacionam conosco, em nosso próprio "mercado". Se conseguirmos demonstrar para os que nos contratam que, sem o nosso olhar especializado, o resultado final seria inferior, estamos ao menos semeando um aspecto positivo sobre o nosso trabalho.  
 
Ah! É muito interessante a sua iniciativa sobre o marketing. Realmente será muito promissor associá-lo à sua visão como arquiteta e empreendedora... Parece que você já está se posicionando e definindo a sua "personalidade" na profissão... 
Muita sorte e sucesso para todos nós!


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