quinta, 17/05/2012

Última Atualização:09:22:31 PM GMT

Manchetes:
Você está aqui: Blogs Antonio Caramelo Avaliações e previsões para Salvador

Avaliações e previsões para Salvador

E-mail Imprimir PDF
caramelo

No último mês de agosto, a Revista Go Where Bahia publicou uma entrevista com Antônio Caramelo sobre as avaliações que o premiado arquiteto faz sobre Salvador (BA)

e as expectativas para as evoluções urbanísticas devido às dificuldades que têm sido apresentadas com mais freqüência em relação ao trânsito e as alterações para a recepção da Copa 2014.

Confira:

Go Where Bahia: Como imagina a cidade daqui a 10 anos?

Antônio Caramelo: Entendo que tudo é muito relativo e circunstancial, diria que Salvador poderá estar melhor ou pior a depender da competência e boa vontade política dos governantes eleitos por nós, tanto na esfera  estadual como na municipal, vez que é necessário ambos terem focos convergentes, construtivos e progressistas para emprenharem seus recursos em projetos modernizadores e desenvolvimentistas para a cidade com a participação e apoio das comunidades representadas por todos aos seus seguimentos para que possam ter respaldo indispensável a sua legitimidade. Dessa forma poderemos certamente uma cidade evoluída, humanizada, infraestruturada, segura e com bom nível de desenvolvimento humano. Caso contrário, com a continuação do atual modelo, deficitário no atendimento a crescente demanda de serviços, como sejam: saúde, educação, segurança, transito, transporte, dentre tantos outros estaremos mais propensos a uma situação caótica.

.

G.W.B.: Salvador ainda tem lugar para crescer. Qual o panorama que traça da cidade?

A.C.: Caso a pergunta se refira ao espaço físico territorial, claro que dentro das delimitações atuais do que entendemos convencionalmente como cidades de Salvador está ficando restrito,mas o espaço no caso a que me refiro tem que ser pensado no ponto de vista socioeconômico o que o torna dinâmico, evolutivo e saneador, quando de várias formas contribui para minimizar as mazelas agravadas pelo “modo operandi” do individuo nas grandes concentrações que povoam os núcleos das metrópoles ou megalópoles. Os deslocamentos desnecessários, a excessiva demanda por equipamentos, sub-dimensionados, a baixa civilidade no uso dos bens comunitários, a deseducação e intolerância no transito acabam por produzir exponencial violência entre condutores bem como desenvolvimento das novas doenças sóciopatas. Dito isso, acreditamos que em todo mundo, essa questão da concentração das populações nas cidades está preocupando arquitetos e urbanistas que juntamente com sociólogos, antropólogos, economistas estão caminhando numa mesma direção, lógica, econômica, sustentável  e salubre de humanizar as cidades com novas propostas e modelos mais inteligentes e econômicos, onde a densidade demográfica é inversamente proporcional aos deslocamentos, seria como se ter multiusos diversos e complementares  em “bairros cidades” intercanalizados por sistemas multimodais de transportes integrados, o que poderíamos traduzir por: tudo de bom no mesmo lugar com conforto e segurança, e ainda tempo de sobra para se gastar com prazer. Utópico? Nem tanto, é ajustar para ver.

 

G.W.B.: Qual a avaliação que faz das grandes avenidas, como a Tancredo Neves, ACM, e bairros como Pituba, onde existem  grande demanda?

A.C.: Questão pontual, traz solução pontual quase sempre paliativa, como já disse, a cidade carece de um projeto sério, de um grande planejamento oriundo de muitas cabeças inteligentes e capacitadas não de pseudo-especialistas contratados lá fora a peso de ouro para dar importância aos contratantes em razão da suposta grife na dita cuja “obra”. Precisamos usar as grandes cabeças que  Salvador dispõe, precisamos envolver os profissionais, os empreendedores, os investidores, o povo num grande multidão de inteligência e esforços produtivos, sem preconceitos, sem partidarismo sectários, sem exceções, mas com  moralidade e ética.

 

G.W.B.: E os projetos da Copa. São de crescimento. Vão contribuir ou não com a melhoria urbanística da cidade e atender a população em franco crescimento, com problemas sociais graves?

A.C.: Observamos em algumas cidades que receberam eventos similares como a “Expo 1998”, em Lisboa, quando toda a área Portuária foi remodelada e em Barcelona para os Jogos Olímpicos de 1992, quando houve uma grande mobilidade social no sentido de revitalização e valorização imobiliária, com ações pontuais centradas na melhoria dos espaços públicos e na construção de equipamentos intrabairros, ações combinadas entre serviços públicos e setor terciário, além de promover a integração de espaços urbanos qualificados através da melhoria das infraestruturas viárias. Portanto, os ganhos são significantes no que se refere ao cultural, social, econômico, ambiental e físico.

 

G.W.B.: Quais as áreas mais exploradas e a que deveriam ser exploradas?

A.C.: Os acidentes acontecem e muitas vezes não podem ser evitados, talvez se fossemos descobertos e colonizados em outra época não precisássemos ter tido uma configuração de cidade fortaleza, implantada numa cumeada entre muros...talvez começássemos na praia a beira mar. Muito temos por fazer, por refazer e também por preservar.

 

G.W.B.: Quais os principais problemas enfrentados por Salvador no campo urbanístico?

A.C.: Passamos pelas mesmas dificuldades e herdamos todos os problemas que todas as grandes cidades dos países em desenvolvimento têm carência de infra-estruturas, sub- dimensionamento dos equipamentos falta de recursos e investimentos.

 

G.W.B.: Quais os erros do passado e presente com a falta de planejamento urbano?

A.C.: Especificamente, afirmo em consonância com grandes urbanistas da Bahia através de depoimentos que nos foram dados para o FORNAC 2008, que Salvador andou para o lado errado, demos as costas para a Baia de Todos os Santos e nos voltamos para o mar aberto, praias batidas e muito sal em suspensão no ar. Deixamos assim para trás, a bela vista de mar tranqüilo, ilhas paradisíacas e um por do sol sobre Itaparica  de fazer inveja a muitos  pontos turísticos badalados em outras paragens.  Abandonamos também a zona do miolo, Cabula, Sussuarana, Engomadeira, Pernambués à própria sorte e ocupação desordenada ao tempo em que também não desenvolvemos nenhuma política de ocupação planejada para a orla de Salvador, o que somente veio a se concretizar na gestão do atual prefeito João Henrique Carneiro e seu superintendente Dr. Claudio Silva.

 

G.W.B.: O que acha da elaboração último PDDU?

A.C.: Todo PDDU sempre é muito polêmico, o atual também tem a nosso ver acertos e erros até porque são grandes os interesses em jogo, mas mesmo que todos levassem em conta apenas o que fosse melhor para Salvador. Ainda assim não seria perfeita vez que a cidade sendo um organismo vivo, dinâmico e diverso, os planos deveriam no nosso entendimento estar sobre analise permanente de uma comissão  gestora representada por  todos os seguimentos, fora atualização constante de suas particularidades, mantendo entre tanto, vigente sua estrutura conceitual e princípios.

 

G.W.B.:  Como deve se processar o planejamento técnico urbanísticos de Salvador (critérios, segmentos e áreas a contemplar) para pensar numa cidade ordenada, com fluidez do tráfego e a população detendo qualidade de vida?

A.C.: Todo plano urbanístico carece de conhecimentos técnicos, de estudos, pesquisas, estatísticas, porém não terá legitimidade se não for discutido até ser consensuado com a sociedade.

 

G.W.B.: Como os interesses empresariais sobrepõem às diretrizes urbanísticas (ambientais, sociais)?

A.C.: Os empresários são uma parcela legitima e importante da sociedade, responsáveis pelo desenvolvimento social, econômico e físico, são eles que arriscam o seu capital e, por conseguinte a saúde de suas empresas nos seus projetos, que diga-se, a cada dia são mais onerados com contra-partidas, outorgas onerosas,doações de áreas, reservas, compensações e taxações que dificultam a viabilização e aumentam os riscos. Não acho justo que eles sejam vistos na composição dos seguimentos que fazem parte da sociedade com vilões, muito pelo contrário embora como em tudo na vida, existam bons e maus.

 

G.W.B.: O transito tem sido uma das grandes preocupações dos especialistas. Como imagina que a cidade ficará neste setor e quais as sugestões de melhoria?

A.C.: São aproximadamente 5 mil carros novos por mês acrescidos a uma frota de aproximadamente 700.000 veículos, e as mesmas vias há muitos anos, mas,como para tudo há uma solução no caso é preciso interesse, projetos, investimento e muita ação.

 

Fonte: Revista Go Where Bahia 

            Edição:Agosto/Setembro 2010

Comentários  

 
0 # Informações sobre a profissão de arquitetura.Maria Rei 14-11-2011 18:16
Estou a fazer um trabalho sobre a evolução da profissão Arquitecto, desde os materiais que eram usados antigamente(os materiais para a elaboração de uma planta, a escolaridade obrigatória) até à actualidade. É possível facultar-me esta informação? obrigada.
Maria.
Responder | Responder com citação | Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Nosso Twitter

 

Últimas atualizações

From TweetMeme
Portal do arquiteto Caramelo Arquitetos no pré-lançamento do livro Arquitetura Brasileira http://bit.ly/emUdTP
Qua, 23 de Março de 2011 17:43
From TweetMeme
Portal do arquiteto RT @portaldoarq Visita a Veneza pode ser feita virtualmente http://is.gd/Aaloq1
Sex, 18 de Fevereiro de 2011 20:23

Receba a Newsletter

 



fique_informado

Parceiros

 
IAB-BA3A do BrasilAntonio CarameloFrank CarameloAEAIPEC

Envie seu conteúdo

 
envie_noticia

ENVIE SUA NOTÍCIA, RELEASE OU CONTRIBUIÇÃO PARA O PORTALDOARQUITETO.COM