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| Socorro! Aquecimento Global! É o único Mal? |
| 03 de novembro de 2009 - 11:24 | |||||||||||
Dilson Ferreira: O que vem a ser o tão comumente falado aquecimento global? De forma geral, podemos grosseiramente falar que é o aumento da temperatura terrestre, não só numa zona climática específica, mas em todo o planeta. O aquecimento global preocupa uma parcela da comunidade científica mundial, desde a reunião da ONU em Estocolmo (Suécia) na década de 70. Esta importância e estudos renderam em 2008 um prêmio Nobel da Paz a comunidade científica mais precisamente ao indiano Rajendra Pachauri (Presidente do IPCC- Painel de Mudanças Climáticas Globais), e ao Vice presidente dos EUA Al Gore. O primeiro pelas contribuições científicas que comprovam o Aquecimento Global, e o segundo pela contribuição na divulgação e conscientização global desta problemática mundial. Segundo os grandes pesquisadores do IPCC- Painel de Mudanças Climáticas Globais da ONU, estas mudanças no clima vem ocorrendo devido ao uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, carvão vegetal querosene, etc..) e outros processos a nível industrial e urbano, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito de Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano e os CFCs- Cloro Fluor Carbono, que se encontram em sprays, geladeiras e ar-condicionados, entre outros gases. Paralelamente, observamos que os meios de comunicação veiculam com mais ênfase, ultimamente em seus noticiários e documentários o tema sobre o Aquecimento Global e suas conseqüências para o planeta, nas mais diversas áreas, pois o risco é eminente e real para todos. Já há muitas décadas, desde as primeiras conferências ambientais da década de 60 e 70, que se sabe da capacidade que o Dióxido de Carbono tem para aumentar a temperatura terrestre por meio do Efeito Estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade, principalmente os países mais urbanizados e industrializados, da Europa, Rússia e EUA que continuaram a produzir enormes quantidades deste e outros gases nocivos, bem como a degradar seu patrimônio ambiental, independente dos alertas e tratados da ONU, das conferências globais como a ECO 92 em 1992, o Protocolo de Kioto em 1997 e a conferência de Bali no fim de 2007. Ignoraram até os estudos da comunidade científica internacional. Não há nenhuma novidade, o que há é a comprovação exata através de simulações climáticas com super-computadores, e que a natureza, já vem nos alertando diariamente, de que estamos entrando em colapso. Na realidade desde 1850 há um aumento da temperatura global, no entanto, também sabemos que mudanças climáticas fazem parte da dinâmica da terra, só que em uma escala temporal de milhares de anos. A terra sempre se alterou climaticamente, por uma atividade natural, já que nosso planeta é um mecanismo vivo e mutante (Gaia), mas as atividades humanas e industriais predatórias que vem sendo praticadas nos últimos 200 anos, com certeza aceleram estas alterações climáticas em todo o mundo, que em uma condição normal levariam milhões de anos para acontecer, para serem aceleradas para algumas décadas apenas. Regiões que eram frias e geladas estão começando a serem castigadas por ondas de calor, outras que eram naturalmente mais quentes sofrem um superaquecimento, ocasionando a morte de pessoas idosas e de crianças. Tempestades violentas, atingem partes do mundo, e inclusive o Brasil, principalmente as regiões Sul e Sudeste. Isto é fato, basta apenas não se deixar cegar e assistir os noticiários de televisão, jornais, revistas e sites. No entanto, isto não vem ocorrendo apenas em decorrência das mudanças climáticas macro globais, e sim pela histórica falta de planejamento urbano regional e local por parte de municípios, associados a grande impermeabilidade do solo e a criação de zonas de ilhas de calor intensas, como é o caso do município de São Paulo. Paralelamente, fortes ciclones e tornados nos EUA, furacões e tufões na INDONÉSIA, estão ficando cada vez mais freqüentes, causando mortes e destruições em várias regiões do planeta. O crescente número de desertos que vão surgindo devido ao aumento da temperatura provoca a morte de espécies de animais e vegetais, desequilibrando ecossistemas. Volto a alertar isto sempre aconteceu só que em escala temporal mais lenta, estamos neste sentido acelerando o processo. No Brasil, já temos regiões do Nordeste com desertificação no Piauí e outros estados. Pode-se citar também, que o desmatamento de florestas, queimadas e poluição urbana (gases, lixo, poluição de rios e lagos e etc) vem como aliados letais neste processo. A tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas em nosso país e no planeta. O derretimento das calotas polares compromete a segurança ambiental das cidades litorâneas, como Maceió, Veneza na Itália, Amsterdan na Holanda, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, entre outras, devido ao aumento e o avanço da altura da lámina de água dos oceanos. Podemos imaginar que daqui a poucos anos Veneza, na Itália e Recife no Brasil, irão perder a sua fama e beleza, pois muitas cidades à beira-mar serão como Veneza e Recife; em vez de ruas, canais; em vez de veículos teremos gôndolas e barcos. Será? Correm até o risco de submergirem. Quem viver verá! Mas e o que podemos fazer? Há mecanismos para salvar o planeta?. Na verdade o ser hu8mano é que deve se salvar, pois o planeta fica é mutante, se adapta, como cita James Lovelock no seu livro chamado "A Vingança de Gaia". O Protocolo de Kyoto, tratado internacional discutido no Japão em 1997, é a maior comprovação desse consenso, de que há medidas mitigadoras a serem implementadas. Por meio desse documento, ratificado em 1999 pelos países signatários, menos os Estados Unidos e Austrália, os governantes, junto dos pesquisadores, mostraram ter ciência do problema e da parcela de culpa humana. Tanto que se comprometeram a reduzir a emissão de poluentes em 5% até 2012. O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) que em 2008 ano junto com o ex -vice presidente Americano Al Gore ganharam juntos o prêmio Nobel da Paz, demonstrou a importância da temática ambiental. Segundo os IPCC haverá aumento de três graus na temperatura global nos próximos 100 anos. Mas poderá chegar a seis graus. Podemos até citar países, governos e políticos (como George Bush) como culpados por esta realidade de proporções catastróficas. No entanto, do que adianta, se não tomamos consciência que nossas formas de consumo, baseadas em modelos impostos pelas mídia e propagandas, pelo status consumista, são muitíssimas responsáveis também pelo que esta acontecendo. Desde a forma de consumir, até a forma como descartamos nosso lixo tem impacto local e global. Só para exemplificar, o simples fato de jogarmos meio litro de óleo de cozinha na pia poderá poluir 500.000 litros de água de um rio ou manancial. Nós, bilhões de habitantes, não calculamos o que consumimos e descartamos durante um ano como: aparelhos de celular e eletroeletrônicos, carros, móveis; embalagens, os cigarros e chicletes jogados no chão, pilhas, garrafas pet's, lanches que têm quase mais embrulhos do que comida. O consumismo provoca indiretamente o aquecimento global. E não adianta plantar árvore, fazer projetos de MDL, pois a natureza não se regenera, como antes, pois não somos capazes de reproduzir um bioma desmatado. O importante é preservar o que se tem e não desmatar e depois querer recuperar. Separar lixo, economizar água, andar de bicicleta ou a pé, plantar arvores, se associar a uma ONG ambiental, parar de comer carne, etc... são atitudes ecologicamente corretas pois servem para ampliar a consciência ambiental, que também é muito importante e contribui para um futuro mais ecológico, mas estas ações correspondem a apenas 10% de contribuição para o aquecimento global. Os grandes vilões são a energia com 21,3% de contribuição da matriz energética global baseada em carvão e petróleo que ficará por bom tempo ao nosso lado pois não há substituto com maior potencial calorífico, e quantidade de reservas, que estes dois insumos, 16,8% com processos industriais ineficazes e sem eficiência energética, 14% no uso de transportes poluentes, 22,5% com queimadas, desmatamentos e pecuária de gado e por fim 3,4% na má destinação do lixo. Para se amenizar o futuro catastrófico é necessário investir, segundo a ONU, US$ 300 bilhões em pesquisas científicas principalmente na área de energias renováveis, educação ambiental e cumprimentos das leis e acordos internacionais. Enquanto isto os EUA gastou 730 bilhões de dólares para salvar instituições financeiras, que estouraram a bolha imobiliária Americana. Nada contra proteger a economia de uma crise. Mas e a crise ambiental ninguém se incomoda?, Quem protege a natureza base da economia, sistema que compõe todos os sistemas? A tecnologia, em determinado cenário pode ser o antídoto para frear a crise ambiental que assola a biosfera. A solução passa por três níveis: o 1º é um novo rearranjo econômico mundial, baseado em uma economia que respeite a sociedade e o meio ambiente, o 2º é o investimento maciço em tecnologias ambientais renováveis, incluindo entre estas a energia nuclear (isto mesmo nuclear com segurança), para que sequestrem carbono. Estima-se que este setor de redução de emissões movimentará 200 bilhões de dólares até 2030. Enquanto isto na Casa Branca gastou-se em 2008 730 bilhões de dólares para salvar bancos. Para nosso Brasil, o que esperamos é que algo pior do que o desmatamento, poluição e degradação ambiental, que já é preocupante no centro oeste e norte, seja sanado e extirpado. Falamos da corrupção, mal que assola o país e que nos afeta em todos os setores da sociedade, se entranhando e corroendo valores das instituições governos, representantes e representados. "QUEM ROUBA DEGRADA MUITO MAIS, POIS A CORRUPÇÃO É PIOR DO QUE A POLUIÇÃO, DESTRUINDO E CORROENDO NÃO APENAS O MEIO AMBIENTE MAIS TAMBÉM O SER HUMANO E OS GOVERNOS E EMPRESAS". Instituições estas que se não forem fortes não serão capazes de propor mudanças ambientais que venham a ajudar o Brasil e o mundo a combater o aquecimento global e sua crise ambiental. Uma nova forma de pensar, de construir, de consumir de produzir, esta por vir, onde o centro de tudo isto é o planeta terra. Mas sem uma mudança de mentalidade estaremos fadados as alterações climáticas danosas a todos os seres deste planeta. A consciência ambiental deve se agregar a valores como honestidade, solidariedade, responsabilidade caráter e paz. O Aquecimento Global faz com que olhemos mais para o presente do que para o futuro, pois as ações de hoje trarão impactos bons ou ruins para as próximas gerações, seus filhos, netos e bisnetos. Devemos também deixarmos de sermos tão ingênuos quando se trata de meio ambiente e sustentabilidade. Muita bobagem se difunde na mídia nas empresas e nos demais setores da economia, incluindo na arquitetura e urbanismo. Estamos cheios de bons mocinhos que ontem degradavam e mal se preocupavam com a natureza e hoje são ambientalistas sustentáveis (será que existe este termo?). A sustentabilidade hoje virou chavão na boca do povo, o que é bom por um lado, pois remete a natureza e ao meio ambiente, algo pouco falado a duas décadas atrás, mais poucos sabem o que significa, atualmente existem mais de 200 termos para esta palavra. Por isto desconfie se alguém falar que isto ou aquilo é sustentável. Você pode está sendo enganado, desconfie e se informe, tome ações concretas contra o aquecimento global. Dilson Batista Ferreira, Arq. Urb. da CONCREMAT ENGENHARIA, Mestre em Meio Ambiente e Doutorando em Energia pela UFABC. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de e-mail
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